Livros, Lembranças e Lugares

Estefânia - A Rainha Virgem

Opinião sobre a obra Estefânia - A Rainha Virgem, de Isabel Stilwell.

Lembro que, na primeira vez que vi “Estefânia, a Rainha Virgem”, de Isabel Stilwell, em uma livraria, pensei: o que haverá tanto para escrever sobre uma rainha consorte que faleceu apenas um ano e dois meses após chegar a Portugal?

Como já havia lido “D. Maria II”, também de Stilwell, e conhecia um pouco sobre seu primogênito e sucessor, marido de Estefânia, interessei-me mais por “D. Pedro V, o Bem-Amado”, de Isabel Machado. Acontece que, nos romances de Machado, às vezes você compra um rei e leva uma rainha de brinde (e vice-versa). Foi assim que conheci bastante sobre D. Estefânia e quis ler mais.

O livro de Stilwell, além de complementar essa história, traz novas perspectivas e um olhar diferente. Aqui, a relutância do rei em consumar o casamento, apesar do amor declarado pela esposa, é bem mais evidente. O suposto motivo também ganha destaque: o medo de perdê-la no parto, como aconteceu com sua mãe, que morreu ao dar à luz seu décimo segundo filho, em uma cena profundamente triste, presenciada pelo jovem rei.

De nada adiantou. Estefânia morreu vítima de uma angina diftérica apenas 14 meses após chegar a Portugal. O rei, ainda mais triste e melancólico do que já era, morreu de febre tifoide dois anos depois.

Ambos deixaram uma imagem positiva na vida pública. O rei visitava os doentes e lhes fazia companhia, mesmo durante surtos de doenças graves. A rainha já fazia o mesmo em seu principado, Hohenzollern-Sigmaringen, e tinha a Florence Nightingale como referência. Antes de morrer, o rei iniciou as obras do Hospital D. Estefânia, destinado às crianças, que existe até hoje e era um sonho da rainha.

Ambos eram bons, dedicados ao povo, fascinantes.

Gosto, neste livro, do protagonismo da minha querida Amélia de Leuchtenberg, imperatriz do Brasil e duquesa de Bragança, que aconselhava D. Estefânia e a tinha como uma filha.

O livro prende da primeira à última página, com o leitor torcendo, inutilmente, por um final diferente.

Na foto, o rei sorri de leve com ajuda da IA, como Estefânia gostaria que ele tivesse feito para que a mãe pudesse ver em fotos por ela enviada, a mesma beleza que ela via no marido nos seus momentos de descontração.

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